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Participantes de Congresso de Psicologia discutem racismo na rede de assistência social

Participantes de Congresso de Psicologia discutem racismo na rede de assistência social

13 de Novembro de 2019 CRPMT 18

O racismo foi destaque das discussões do 2º Congresso Mato-grossense de Psicologia e Compromisso Social e o 3º Encontro de Psicologia na Assistência Social, realizado nesta sexta-feira (08) e sábado (09), no UNIVAG, em Várzea Grande. O evento foi organizado pelo Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP18-MT) e reuniu cerca de 200 profissionais, estudantes e comunidade em geral.

A conferência de abertura “O Compromisso Social das psicologias brasileiras nos diversos contextos” foi ministrada pela psicóloga e representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Andrea Esmeraldo Câmara. Na apresentação ela abordou o papel do Estado por meio de políticas públicas no tratamento aos casos de racismo. Andrea ainda destacou que não há um perfil étnico-racial dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o que dificulta a dimensão do problema.

“É importante nos questionarmos quem são os operadores do SUAS para entendermos se estamos preparados para lidar com o racismo tanto contra quem trabalha na rede, quanto de quem é atendido pelas instituições. A luta contra o racismo deve ser um projeto em que todos participem”, disse.

O conselheiro do CRP18-MT e um dos organizadores do Congresso, George Moraes, explica que a inclusão do racismo como pauta principal do evento tem como objetivo fomentar a discussão entre os profissionais da Psicologia, conforme orientação do CFP. Segundo ele, a ideia é sensibilizar a categoria para uma temática pouco discutida.

“A população negra é o principal público da rede de assistência pública no país. No entanto, vemos pouca capacitação de profissionais para compreender que o racismo sofrido por essas pessoas é uma violência e que isto deve ser acolhido pela rede de políticas sociais”, pontua George.

Ainda de acordo com o psicólogo, o atual cenário político e social no Brasil reforça a necessidade de debater o racismo. “Por muito tempo os temas relacionados aos direitos humanos foram ligados a uma determinada orientação política ou como se fossem de responsabilidade somente de um grupo da sociedade, quando na verdade devem ser abraçados por todos”, pontua o conselheiro do CRP18-MT.

Nacional – Além da conselheira do CFP Andrea Esmeraldo Câmara, também esteve presente no Congresso, sua colega de Conselho, a psicóloga Célia Zenaide. As duas compõem a Comissão de Psicologia na Assistência Social do CFP. Célia participou da mesa redonda “Todo racismo é uma forma de violência: reflexões sobre o racismo, políticas públicas e Direitos Humanos”, na manhã de sábado (09). Segundo a conselheira, dentro das discussões sobre racismo, há ainda os debates relacionados a gênero, negligência familiar e compreensão das diferentes formas de preconceito racial à população negra.

“Um levantamento recente mostrou que 93% dos titulares do Bolsa Família são mulheres e que destas 73% são mulheres negras, o que já indica que esta é a população que mais usa a rede de assistência social no país. É praticamente impossível que um profissional do SUAS não se depare com pessoas negras para atender. Por isto, discutir o racismo é fundamental entre os profissionais da rede”, salienta Célia Zenaide, do CFP.

Para o conselheiro do CRP18-MT, George Moraes, a presença de representantes nacionais no evento contribui com o nível técnico das discussões entre profissionais, estudantes e a comunidade em geral. “As duas conselheiras do CFP possuem total domínio teórico e acadêmico sobre o assunto, além de atuarem na militância em prol da defesa dos direitos humanos e combate ao preconceito étnico-racial. Esta participação nacional no evento é de grande importância para o diálogo”.

O 2º Congresso Mato-grossense de Psicologia e Compromisso Social e o 3º Encontro de Psicologia na Assistência é uma parceria do CRP18-MT, por meio das comissões de Psicologia na Assistência Social e de Psicologia e Questões Étnico-Raciais, com a UNIVAG, além de contar com o apoio da Comissão de Defesa da Igualdade Social da OAB-MT e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR-MT).

Fonte: Pau e Prosa Comunicação