Participantes de Congresso de Psicologia discutem racismo na rede de assistência social

Participantes de Congresso de Psicologia discutem racismo na rede de assistência social

CRPMT 18

O racismo foi destaque das discussões do 2º Congresso Mato-grossense de Psicologia e Compromisso Social e o 3º Encontro de Psicologia na Assistência Social, realizado nesta sexta-feira (08) e sábado (09), no UNIVAG, em Várzea Grande. O evento foi organizado pelo Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP18-MT) e reuniu cerca de 200 profissionais, estudantes e comunidade em geral.

A conferência de abertura “O Compromisso Social das psicologias brasileiras nos diversos contextos” foi ministrada pela psicóloga e representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Andrea Esmeraldo Câmara. Na apresentação ela abordou o papel do Estado por meio de políticas públicas no tratamento aos casos de racismo. Andrea ainda destacou que não há um perfil étnico-racial dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o que dificulta a dimensão do problema.

“É importante nos questionarmos quem são os operadores do SUAS para entendermos se estamos preparados para lidar com o racismo tanto contra quem trabalha na rede, quanto de quem é atendido pelas instituições. A luta contra o racismo deve ser um projeto em que todos participem”, disse.

O conselheiro do CRP18-MT e um dos organizadores do Congresso, George Moraes, explica que a inclusão do racismo como pauta principal do evento tem como objetivo fomentar a discussão entre os profissionais da Psicologia, conforme orientação do CFP. Segundo ele, a ideia é sensibilizar a categoria para uma temática pouco discutida.

“A população negra é o principal público da rede de assistência pública no país. No entanto, vemos pouca capacitação de profissionais para compreender que o racismo sofrido por essas pessoas é uma violência e que isto deve ser acolhido pela rede de políticas sociais”, pontua George.

Ainda de acordo com o psicólogo, o atual cenário político e social no Brasil reforça a necessidade de debater o racismo. “Por muito tempo os temas relacionados aos direitos humanos foram ligados a uma determinada orientação política ou como se fossem de responsabilidade somente de um grupo da sociedade, quando na verdade devem ser abraçados por todos”, pontua o conselheiro do CRP18-MT.

Nacional – Além da conselheira do CFP Andrea Esmeraldo Câmara, também esteve presente no Congresso, sua colega de Conselho, a psicóloga Célia Zenaide. As duas compõem a Comissão de Psicologia na Assistência Social do CFP. Célia participou da mesa redonda “Todo racismo é uma forma de violência: reflexões sobre o racismo, políticas públicas e Direitos Humanos”, na manhã de sábado (09). Segundo a conselheira, dentro das discussões sobre racismo, há ainda os debates relacionados a gênero, negligência familiar e compreensão das diferentes formas de preconceito racial à população negra.

“Um levantamento recente mostrou que 93% dos titulares do Bolsa Família são mulheres e que destas 73% são mulheres negras, o que já indica que esta é a população que mais usa a rede de assistência social no país. É praticamente impossível que um profissional do SUAS não se depare com pessoas negras para atender. Por isto, discutir o racismo é fundamental entre os profissionais da rede”, salienta Célia Zenaide, do CFP.

Para o conselheiro do CRP18-MT, George Moraes, a presença de representantes nacionais no evento contribui com o nível técnico das discussões entre profissionais, estudantes e a comunidade em geral. “As duas conselheiras do CFP possuem total domínio teórico e acadêmico sobre o assunto, além de atuarem na militância em prol da defesa dos direitos humanos e combate ao preconceito étnico-racial. Esta participação nacional no evento é de grande importância para o diálogo”.

O 2º Congresso Mato-grossense de Psicologia e Compromisso Social e o 3º Encontro de Psicologia na Assistência é uma parceria do CRP18-MT, por meio das comissões de Psicologia na Assistência Social e de Psicologia e Questões Étnico-Raciais, com a UNIVAG, além de contar com o apoio da Comissão de Defesa da Igualdade Social da OAB-MT e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CEPIR-MT).