Marcus Vinícius de Oliveira: Um Legado de Luta e Transformação na Psicologia Brasileira

Marcus Vinícius de Oliveira: Um Legado de Luta e Transformação na Psicologia Brasileira

CRPMT 18

Há nove anos, a Psicologia brasileira perdeu um de seus grandes nomes. Marcus Vinícius de Oliveira, conhecido como Matraga, foi brutalmente assassinado em 4 de fevereiro de 2016, em Pirajuia, município de Jaguaripe (BA), uma região marcada por conflitos agrários. Até hoje, as circunstâncias de sua morte seguem sem esclarecimento, deixando um vazio na comunidade acadêmica e nos movimentos sociais dos quais fazia parte.

Psicólogo, pesquisador e defensor incansável dos direitos humanos, Matraga foi um dos protagonistas da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica brasileira. Sua trajetória foi marcada pela busca incessante de uma Psicologia comprometida com a transformação social e a equidade, entendendo a profissão não apenas como uma ciência técnica, mas como uma ferramenta essencial para a defesa de direitos e a justiça social.

Compromisso com a Psicologia e os Direitos Humanos

Matraga teve atuação destacada no Conselho Federal de Psicologia (CFP), contribuindo significativamente para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade. Seus estudos e publicações influenciaram gerações de psicólogas(os), consolidando uma visão da Psicologia voltada para a promoção da dignidade e da cidadania.

Sua luta era pela construção de um modelo de saúde mental humanizado, no qual o atendimento psicológico não fosse pautado pela exclusão ou pela institucionalização, mas sim pela inclusão e pelo respeito às individualidades. Sua atuação foi fundamental na resistência a modelos de tratamento que desconsideravam os direitos das(os) pacientes, sendo um dos pilares do movimento que resultou na Reforma Psiquiátrica no Brasil.

Ciência e Política: A Tensão que Movia Matraga

Ao longo de sua trajetória, Matraga enfrentou desafios impostos pela tensão entre ciência e política, principalmente em períodos de repressão, como na ditadura militar. Com sua inquietação e engajamento, ele reforçou a necessidade de que a Psicologia ultrapassasse os limites dos consultórios e se consolidasse como um instrumento de transformação social.

Seu legado vai além das suas contribuições acadêmicas: é uma convocação permanente para que a Psicologia continue comprometida com a defesa dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais justa.

Um Chamado por Justiça e Memória

Nove anos após sua morte, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e os Conselhos Regionais de Psicologia seguem cobrando esclarecimentos sobre o assassinato de Marcus Vinícius de Oliveira. O caso, ainda sem resolução, reflete a urgência de lutar contra a impunidade e reforça a necessidade de preservar e dar continuidade ao trabalho iniciado por ele.

O CRP18-MT reafirma o compromisso com o legado de Matraga: uma Psicologia coletiva, ética e profundamente enraizada na defesa dos direitos humanos. Sua memória segue viva, inspirando novas gerações de psicólogas(os) a manterem a profissão como um espaço de luta, resistência e transformação.

Quer saber mais sobre a luta antimanicomial e a defesa dos direitos humanos na Psicologia? Acompanhe os canais oficiais do CRP18-MT para conteúdos, eventos e discussões sobre esses temas essenciais para a profissão.