
CRP18-MT destaca o 25 de Julho como data de luta e reflexão sobre os direitos das mulheres negras
No dia 25 de julho, celebra-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. O Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região – Mato Grosso (CRP18-MT) vem a público reafirmar a importância da data como marco de resistência, memória e ação coletiva contra o racismo, o sexismo e a exclusão social que historicamente atingem as mulheres negras, indígenas e de comunidades tradicionais em diferentes contextos, inclusive no estado de Mato Grosso.
Mais do que uma comemoração, este é um momento de convocação à consciência ética, social e política. Psicólogas e psicólogos, enquanto profissionais comprometidos com os direitos humanos e com a promoção da saúde mental, são chamados a posicionar-se diante das múltiplas opressões que atravessam a vida de mulheres negras. Nesse sentido, o CRP18-MT reafirma seu compromisso com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, especialmente o Princípio Fundamental II, que orienta a categoria a contribuir para a eliminação de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Instituída pela Lei nº 12.987, de 2 de junho de 2014, a data homenageia também a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de resistência no estado de Mato Grosso. No século XVIII, após o assassinato de seu companheiro José Piolho, Tereza chefiou o Quilombo do Quariterê, situado nas proximidades de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). O quilombo abrigava mais de 100 pessoas, entre negras(os) e indígenas, e resistiu por mais de 70 anos até ser destruído por forças escravocratas. Tereza foi capturada e assassinada pelas autoridades da época, tornando-se mártir da luta contra a escravidão e a colonização violenta de corpos e territórios.
A realidade das mulheres negras no Brasil segue marcada por desigualdades profundas. Dados do Atlas da Violência 2025 revelam que 69,3% dos homicídios femininos em 2025 foram de mulheres negras – número que representa quase 7 em cada 10 assassinatos de mulheres no país; A taxa de homicídios de mulheres negras alcançou 4,6 por 100 mil habitantes, enquanto a taxa de mulheres não negras permaneceu em 2,2; O risco de uma mulher negra ser assassinada foi 2,1 vezes maior do que o de uma mulher não negra – um dos maiores índices da série histórica desde 2009; Em todos os estados brasileiros, mulheres negras estão sobrerrepresentadas entre as vítimas de homicídios femininos, revelando uma desigualdade estrutural persistente. Estas também figuram entre as mais afetadas pelo desemprego, recebem os menores salários e enfrentam condições de trabalho mais precárias (Bento, 1995). A violência é múltipla: além do feminicídio e lesbocídio, mulheres negras e indígenas enfrentam agressões físicas, morais, institucionais, patrimoniais, obstétricas e familiares – muitas vezes invisibilizadas ou subnotificadas.
O CRP18-MT, por meio da Comissão de Psicologia nas Relações Étnico-raciais, tem buscado ampliar os espaços de debate, formação e enfrentamento ao racismo. A comissão convida psicólogas(os) e estudantes a se engajarem em ações que promovam a equidade étnico-racial no exercício profissional, em consonância com a Resolução CFP nº 018/2002, que trata da atuação frente ao preconceito e à discriminação racial. Interessadas(os) em integrar a Comissão devem enviar solicitação para o e-mail: assessoria@crpmt.org.br
Neste 25 de julho, o Conselho reforça que é dever ético da Psicologia reconhecer as desigualdades históricas, valorizar a trajetória das mulheres negras e atuar na transformação da realidade social. O legado de Tereza de Benguela continua vivo nas vozes e lutas das mulheres negras latino-americanas, caribenhas e brasileiras que seguem enfrentando e resistindo às estruturas de opressão.