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CFP lança orientações para atuação da categoria  na realização de exame criminológico

CFP lança orientações para atuação da categoria na realização de exame criminológico

11 de Novembro de 2025 CFP

Nota Técnica nº 32/2025 foi produzida diante das mudanças na Lei de Execução Penal

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) lançou na quinta-feira (30/10), em Brasília/DF, a Nota Técnica nº 32/2025, que orienta a atuação ética e crítica de psicólogas e psicólogos na realização do exame criminológico. O evento, transmitido ao vivo pelo canal do CFP no YouTube, reuniu especialistas da área e promoveu debate sobre o papel da Psicologia no sistema de justiça criminal.

A Nota Técnica nº 32/2025 foi elaborada a partir das recentes mudanças na Lei de Execução Penal (Lei nº 14.843/2024), que tornou obrigatória a realização do exame criminológico para a progressão de regime. O texto apresenta diretrizes e reflexões sobre os limites da atuação psicológica, as condições mínimas para a realização do exame e a vedação de práticas que reforcem estigmas ou promovam exclusão.

A atividade contou com a abertura da presidenta do CFP, Alessandra Almeida, e foi coordenada pelo conselheiro federal Pedro Paulo Bicalho, com a participação das psicólogas convidadas Maynar Vorga, Valdirene Daufemback e Márcia Badaró. Todas(os) as(os) participantes  integram o Grupo de Trabalho Psicologia e Políticas Penais e contribuíram para a elaboração do material.

A presidenta do CFP, Alessandra Almeida, abriu o seminário e ressaltou que a Psicologia deve sempre atuar em defesa da dignidade, da vida e da ética profissional, especialmente diante das recentes mudanças legais que tornam obrigatório o exame para progressão de pena. “Esse procedimento, que agora se estende a todos os tipos penais, cria uma nova etapa que pode atrasar significativamente a concessão de direitos, gerando um prolongamento indevido de permanência na prisão e, consequentemente, um aumento dos custos do sistema prisional, mas que pode também, evidentemente, significar violação de direitos”, afirmou.

O conselheiro Pedro Paulo Bicalho apresentou oficialmente a Nota Técnica nº 32/2025, documento que integra uma trajetória de mais de cinco décadas de produção normativa da autarquia. Bicalho contextualizou o papel histórico do CFP na regulação da profissão e destacou que a nova nota tem caráter orientativo, voltado à proteção do exercício profissional da Psicologia no sistema prisional.

O conselheiro federal  também lembrou que o exame criminológico é um tema historicamente controverso e que, diante da recente obrigatoriedade imposta por lei, o Conselho Federal precisa oferecer diretrizes éticas para a atuação das psicólogas e dos psicólogos nesse contexto. “ Exame criminológico não é decisão judicial. Ele subsidia, mas ele não é sentença”, enfatizou Bicalho.

A psicóloga Márcia Badaró fez um resgate histórico das discussões sobre o exame criminológico e destacou que o novo documento orientativo é resultado de um longo processo de debates e produções que buscam garantir uma atuação ética e qualificada de psicólogas e psicólogos no sistema prisional. “Quando a gente faz uma publicação, não é uma coisa da cabeça do Conselho Federal de Psicologia. Ela vem como uma consequência, como um amadurecimento de discussões profundas com a categoria”.

A psicóloga Valdirene Daufemback falou sobre os desafios estruturais enfrentados pelas(os)profissionais de Psicologia que atuam no sistema prisional. Para ela, a Nota Técnica evidencia as limitações e dilemas éticos dessa prática, marcada pela falta de equipes e de condições adequadas de trabalho, e reforçou que o exame criminológico obrigatório agrava um contexto já reconhecido como de violação de direitos humanos. “Este documento pode nos ajudar a fortalecer o posicionamento da dignidade das pessoas que estão privadas de liberdade e o que nos coloca nessa esteira de proteção e construção dos direitos humanos”, afirmou.

A psicóloga Maynar Vorga compartilhou reflexões a partir de sua experiência cotidiana no sistema prisional, na qual psicólogas e psicólogos devem atuar com base em princípios éticos e científicos, sem ceder a práticas que violem direitos. Ela defendeu a importância de relatórios que considerem os contextos sociais, raciais e de gênero das pessoas presas e alertou para os limites da atuação profissional. “Nós não temos que tomar a decisão pelo Poder Judiciário. Nós nem queremos esse poder. A pergunta ética é sempre: para que eu estou fazendo o que eu estou fazendo?”, afirmou.

Mais do que um manual técnico, a Nota Técnica nº 32/2025 se consolida como um documento político e ético, alinhado ao compromisso da Psicologia com a justiça social, a defesa dos direitos humanos e a promoção da dignidade das pessoas em privação de liberdade.

Confira a íntegra da live do lançamento da Nota Técnica nº 32/2025, disponível no canal do CFP no YouTube.

Acesse a íntegra da Nota Técnica nº 32/2025.