Comunicação

Notícias

CFP defende revogação integral da Lei da Alienação Parental em audiência na Câmara

CFP defende revogação integral da Lei da Alienação Parental em audiência na Câmara

02 de Outubro de 2025 CFP

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) defendeu, em audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, a revogação completa e irrestrita da Lei da Alienação Parental (Lei nº 12.318/2010). A sessão ocorreu no Plenário 1 da CCJ, em 2 de outubro de 2025, e contou com a participação da presidenta do CFP, Alessandra Almeida, como expositora convidada. 

Representado por sua presidenta, o CFP alertou que a legislação vem sendo instrumentalizada por autores de violência para retaliar quem denuncia abusos, desvirtuando o objetivo de proteção de crianças e adolescentes. Ao enfatizar a necessidade de abandonar um marco sem respaldo científico, a dirigente reforçou que o Judiciário dispõe de instrumentos suficientes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código Civil, para assegurar direitos e proteger vítimas sem recorrer à Lei de Alienação Parental.

A audiência integra a tramitação do Projeto de Lei nº 2.812/2022, que propõe revogar integralmente a Lei da Alienação Parental e está sob relatoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) na CCJ. O colegiado tem promovido debates com especialistas e entidades para subsidiar o parecer.

Sancionada em 2010, a Lei da Alienação Parental prevê medidas que vão de advertência à suspensão da guarda em casos considerados graves. Críticos argumentam que, na prática, a norma tem sido utilizada para descredibilizar denúncias de violência, especialmente as feitas por mulheres, e para reverter a prioridade da proteção integral de crianças e adolescentes.

A posição do CFP dialoga com recomendações de órgãos de direitos humanos. Em 2024, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) aprovou resolução defendendo a revogação da lei e a não utilização do termo “alienação parental” por carecer de fundamentação científica adequada no ordenamento jurídico. Mais recentemente, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF) apontou falhas e inconstitucionalidades na norma, reforçando a necessidade de revisão legislativa para garantir a proteção integral. 

O PL 2.812/2022 segue em análise na CCJ, etapa na qual a relatoria apresenta parecer pela admissibilidade ou rejeição, antes do encaminhamento às fases subsequentes do processo legislativo na Câmara. A agenda de discussões na comissão inclui novas oitivas e sistematização das contribuições recebidas.

Como autarquia pública federal responsável por orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional da Psicologia em Mato Grosso, o CRP18-MT reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, com o enfrentamento à violência e com práticas baseadas em evidências. O Conselho seguirá acompanhando a tramitação da matéria e divulgando informações de interesse público à categoria e à sociedade.