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CFP apresenta relatório sobre manicômios judiciários em audiência pública na Câmara dos Deputados

CFP apresenta relatório sobre manicômios judiciários em audiência pública na Câmara dos Deputados

05 de Setembro de 2025 CFP

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) participou, no dia 3 de setembro, de audiência pública promovida pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados para debater a Resolução nº 487/23 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A normativa institui a Política Antimanicomial do Poder Judiciário, determinando o fechamento dos manicômios judiciários e a inclusão de pessoas com deficiência psicossocial em conflito com a lei na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Na ocasião, o CFP apresentou os resultados do Relatório de Inspeção Nacional: Desinstitucionalização dos Manicômios Judiciários, elaborado em parceria com o CNJ. A presidenta da autarquia, Alessandra Almeida, destacou que a inspeção ocorreu dez anos após o primeiro levantamento, realizado em 2015, e evidenciou que esses estabelecimentos ainda reúnem as piores características de prisões e hospitais psiquiátricos.

O documento denuncia situações de negligência, abandono estatal e permanência de pessoas em regime de custódia por tempo indeterminado, configurando verdadeiras “prisões perpétuas”. Para a presidenta do CFP, os achados reforçam a importância da Resolução 487/23 ao estabelecer o fim dessas instituições e a necessidade de fortalecer a rede pública de cuidados em saúde mental e assistência social.

Experiências exitosas de desinstitucionalização já em curso em estados como Goiás e Minas Gerais também foram apresentadas durante a audiência. O Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (PAILI), implantado em Goiás, erradicou manicômios judiciários desde 2006, priorizando o acompanhamento em liberdade. Já o Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, atua há 25 anos articulando a inclusão de pessoas em sofrimento psíquico na rede aberta e territorializada de saúde mental.

O deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), proponente da audiência, ressaltou que a política antimanicomial no âmbito do Judiciário representa um avanço histórico para a garantia dos direitos fundamentais, ao substituir a lógica punitiva por um cuidado voltado à reabilitação psicossocial e à inclusão social.

Apesar dos avanços, representantes da sociedade civil e de órgãos públicos alertaram para a fragilidade de equipamentos da RAPS em diversas regiões. Nesse sentido, o CFP reafirmou seu compromisso em dialogar com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para que a implementação da resolução seja acompanhada de investimentos na rede de atenção.

O Relatório de Inspeção Nacional já repercutiu amplamente na imprensa brasileira, com mais de 400 notícias publicadas, e constitui um instrumento estratégico para fortalecer políticas públicas de saúde mental baseadas no cuidado em liberdade e no respeito aos direitos humanos.

Clique aqui para acessar a íntegra do relatório.