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CFP alerta para riscos do uso de inteligência artificial em saúde mental no SUS

CFP alerta para riscos do uso de inteligência artificial em saúde mental no SUS

05 de Setembro de 2025 CFP

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou, na sexta-feira (5), nota de posicionamento sobre o programa “e-Saúde Mental no SUS”, recentemente anunciado pelo governo federal. A proposta prevê a utilização de uma plataforma digital voltada ao diagnóstico e suporte ao tratamento na atenção primária à saúde.

Na manifestação, o CFP destaca que mudanças dessa magnitude requerem cautela técnica, segurança jurídica e ampla construção coletiva, com a participação de profissionais, gestoras(es), pesquisadoras(es) e usuárias(os). A autarquia enfatiza que a atuação de psicólogas e psicólogos é essencial e insubstituível no cuidado em saúde mental, mesmo diante dos avanços das tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA).

Entre os pontos levantados, ressaltam-se a impossibilidade de delegar a algoritmos funções complexas como a aliança terapêutica, o manejo de crises e a avaliação de riscos. O documento também pontua que a IA não contempla as dimensões sociais, históricas e culturais do sofrimento psíquico, elementos fundamentais no processo de cuidado. Além disso, a nota reforça a necessidade de proteção de direitos, sigilo e respeito ao Código de Ética Profissional do Psicólogo.

O CFP lembra ainda que experiências internacionais, como na Itália, Austrália e Reino Unido, resultaram na restrição ou suspensão de iniciativas semelhantes, reforçando a importância de uma regulação rigorosa para evitar riscos à qualidade do cuidado e à privacidade dos usuários. No Brasil, conforme a RDC 657/2022, softwares dessa natureza devem obter aprovação prévia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de estarem sujeitos a marcos regulatórios específicos que ainda precisam avançar na área da saúde mental.

A autarquia sublinha que não se opõe ao uso de tecnologias, mas rejeita projetos que desconsiderem fundamentos éticos, científicos e jurídicos, bem como a participação social. Para o CFP, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde deve ocorrer a partir do investimento em pessoas e da ampliação das equipes multiprofissionais, considerando a Psicologia como dimensão central e inalienável no cuidado em saúde mental.

Acesse a nota pública na íntegra neste link.