Trabalho infantil em Mato Grosso acende alerta para violações de direitos e impactos à saúde mental

Trabalho infantil em Mato Grosso acende alerta para violações de direitos e impactos à saúde mental

CRPMT 18

Reportagem do g1 MT mostrou a gravidade do trabalho infantil em Mato Grosso. O caso exige ação conjunta da sociedade, do poder público e da rede de proteção.

O tema voltou ao debate público depois que a reportagem informou que o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu 111 procedimentos sobre trabalho infantil em 2025. Em todo o país, 1,6 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam nessa situação no ano anterior.

Em Mato Grosso, parte dos casos está entre as piores formas de trabalho infantil. A Lista TIP reúne 93 atividades proibidas por serem prejudiciais à saúde, à segurança e à dignidade de crianças e adolescentes.

No estado, foram identificadas 11 atividades de risco. Entre elas estão trabalhos na agricultura, com inflamáveis, em oficinas mecânicas e na venda de bebidas alcoólicas. Os casos apareceram em vários municípios. Cuiabá concentrou mais de 40 ocorrências.

A reportagem também mostrou que Mato Grosso passou de 45.502 casos em 2023 para 45.711 em 2024. Isso representa 6,5% da população de 5 a 17 anos e coloca o estado com a 5ª maior taxa do país.

O trabalho infantil não é apenas uma irregularidade trabalhista. Ele é uma violação de direitos, ou seja, uma situação em que a criança ou o adolescente tem direitos básicos desrespeitados. Esse problema afeta o desenvolvimento, os vínculos sociais e a saúde mental.

Referências do Conselho Federal de Psicologia lembram que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos. Isso significa que a lei reconhece que eles têm proteção especial e prioridade no acesso à dignidade, ao cuidado e à segurança. Por isso, casos de exploração e violência exigem resposta conjunta de diferentes áreas, como assistência social, educação, saúde e justiça.

Na reportagem, o psicólogo Rodrigo Brito, coordenador da Comissão de Psicologia na Educação, afirmou que o trabalho infantil coloca crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade extrema. Segundo ele, os danos não são só físicos. Eles também podem causar trauma, ansiedade, depressão, isolamento, dificuldade de convivência, cansaço e perda de experiências importantes da infância.

O psicólogo também reforçou que o lugar da criança e do adolescente é na escola. A escola é essencial para a aprendizagem, a convivência, a proteção e a saúde mental. Quando o trabalho afasta meninas e meninos desse espaço, ele prejudica o desenvolvimento integral e rompe parte importante da infância.

Enfrentar o trabalho infantil é um dever de todos. Isso inclui cobrar políticas públicas, fortalecer as redes de proteção e garantir que crianças e adolescentes cresçam com cuidado, educação, convivência e direitos assegurados.