NOTA OFICIAL DE REPÚDIO E PESAR

NOTA OFICIAL DE REPÚDIO E PESAR

CRPMT 18

O Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso vêm a público manifestar seu mais profundo repúdio e indignação diante do brutal assassinato da Dra. Andréa Marins Dias, ocorrido no último domingo (15), no Rio de Janeiro. A execução de uma médica oncologista com 30 anos de carreira, atingida por disparos de fuzil efetuados por agentes do Estado, não é uma falha pontual, mas o sintoma terminal de um sistema de segurança pautado pelo racismo estrutural.

É inadmissível que a tese de "carro confundido" seja utilizada para naturalizar a morte de cidadãos negros. Na prática das operações policiais estaduais, o perfilamento racial atua como um veredito antecipado: a cor da pele e o fenótipo de corpos negros são sistematicamente lidos como suspeição, transformando vias públicas em zonas de execução sumária. O fuzil, arma de guerra utilizada nesta abordagem, revela uma política de extermínio que ignora currículos, trajetórias e a própria humanidade de quem é alvo.

O racismo institucional manifesta-se na facilidade com que o gatilho é puxado contra um veículo conduzido por uma mulher negra, expondo a crença implícita de que certas vidas são descartáveis ou "danos colaterais" aceitáveis. A morte da Dra. Andréa é um ataque a toda a população negra que, independentemente de sua ascensão social ou profissional, permanece sob a mira constante de um Estado que deveria protegê-la.

Diante da gravidade dos fatos, esta instituição exige:

Enfrentamento ao Perfilamento Racial: Que as investigações considerem o viés racial da abordagem, combatendo a lógica de que corpos negros são "ameaças presumidas" que justificam o uso de força letal.

Responsabilização e Rigor Jurídico: Que a Delegacia de Homicídios e o Ministério Público garantam uma punição que reflita a gravidade de um crime cometido por quem detém o monopólio da força, vedando qualquer tentativa de impunidade corporativista.

Revisão de Doutrina Policial: A implementação imediata de treinamentos antirracistas e protocolos que proíbam o uso de armamento de guerra em áreas urbanas contra alvos não identificados.

A trajetória da Dra. Andréa Marins Dias, dedicada a salvar vidas em meio à dor do câncer, foi interrompida pela violência do racismo e do Estado.

Nossa solidariedade aos familiares e amigos é acompanhada pelo compromisso inegociável de lutar para que a cor da pele deixe de ser uma sentença de morte no Brasil.

Justiça por Andréa Marins Dias. Vidas Negras Importam.

Comissão de Psicologia nas Relações Étnico-raciais, Camiéle Benedita do Carmo