Enfrentar o racismo é compromisso com a saúde mental e com a vida
Enfrentar o racismo é reconhecer que a saúde mental não se produz apenas no plano individual: ela é atravessada por estruturas sociais que distribuem, de forma desigual, direitos, oportunidades, trabalho, renda e cuidado. Quando a discriminação racial organiza o acesso a essas dimensões da vida, seus efeitos se acumulam no campo emocional, ampliam agravos à saúde e atingem de modo particular quem vive e quem cuida sob condições marcadas por precarização e desigualdades estruturais.
Essas desigualdades se expressam em diferentes frentes, como subdiagnóstico e invisibilização de transtornos mentais, barreiras para acessar serviços especializados, sobrecarga social imposta a jovens e mulheres negras e exposição constante a práticas discriminatórias em espaços institucionais. Dados e levantamentos citados na campanha nacional também apontam maior exposição da população negra a situações de violência e discriminação, com recorrentes experiências de sofrimento psíquico decorrentes do racismo cotidiano e indicadores preocupantes relacionados ao tema do suicídio.
Diante desse cenário, a Psicologia brasileira reafirma que o enfrentamento a toda forma de preconceito e discriminação é compromisso ético, científico e político, exigindo práticas profissionais antirracistas e defesa de políticas públicas universais que ampliem o acesso a direitos e reduzam desigualdades raciais e materiais. O Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região – Mato Grosso (CRP18-MT) reforça esse compromisso e orienta que profissionais busquem normativas e referências técnicas disponíveis no Sistema Conselhos, fortalecendo uma atuação voltada à dignidade, à saúde integral e à construção de uma sociedade menos desigual.